O Cérebro precisa de boa saúde…

e o intestino ajuda!

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O envelhecimento da população representa um dos maiores desafios da Saúde Pública no século XXI. Paralelamente ao aumento da esperança média de vida, observa-se maior prevalência de depressão, ansiedade e défice cognitivo em adultos mais velhos.

 

Estudos têm destacado o papel do eixo intestino-cérebro na regulação do humor e da função cognitiva, surgindo a microbiota intestinal como elemento central nesta interação.

 

O eixo intestino-cérebro corresponde a uma rede complexa de comunicação bidirecional entre o trato gastrointestinal e o sistema nervoso central, que integra vias neurais, endócrinas, imunitárias e metabólicas envolvendo o nervo vago, o sistema nervoso entérico, metabolitos microbianos (como por exemplo, os Ácidos Gordos de Cadeia Curta-AGCC, como o butirato), o sistema imunitário e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA). 

 

Com o envelhecimento, ocorre:


•    Alteração da microbiota intestinal com redução da diversidade microbiana
•    Diminuição de bactérias produtoras de butirato
•    A implementação de um estado inflamatório crónico de baixo grau
•    Maior permeabilidade intestinal
•    Maior prevalência de depressão e défice cognitivo

 

Estas alterações podem contribuir para neuroinflamação e perturbações do humor.
Alterações da microbiota intestinal (população de bactérias benéficas que vivem no nosso intestino) têm sido associadas a distúrbios psiquiátricos e neurodegenerativos. Estas alterações reforçam a relevância da modulação da microbiota como alvo terapêutico.

 

E agora questiona: “De que forma podemos influenciar este processo de envelhecimento?”

 

Na população idosa, psicobióticos representam uma abordagem promissora na modulação do eixo intestino-cérebro, com potencial impacto na inflamação, regulação do stress e manutenção cognitiva. O termo psicobiótico foi proposto para descrever microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, produzem benefícios na saúde mental através da modulação do eixo intestino-cérebro, com potencial efeito na função cerebral e comportamental. 

 

A microbiota intestinal (especialmente Lactobacillus e Bifidobacterium) participa na produção, modulação ou sinalização de vários neurotransmissores (moléculas responsáveis pela transmissão das mensagens entre as células nervosas) que influenciam humor, ansiedade, stress e cognição. Os principais neurotransmissores, influenciados pelos Psicobióticos são o GABA (Ácido gama-aminobutírico), Serotonina, Noradrenalina e Dopamina, como descrito na tabela.

 

 

Psicobiótico

Neurotransmissor Influenciado

Impacto no Eixo Intestino-Cérebro

Lactobacillus rhamnosus JB-1

• GABA (principal)
• Serotonina (indiretamente)
• Noradrenalina (via eixo HPA)

• Redução de ansiedade
• Maior sensação de calma
• Melhor resposta ao stress

Bifidobacterium longum (1714, R0175, Rosell-175)

• Serotonina
• GABA
• Dopamina
• Noradrenalina

• Melhor humor
• Melhor resposta ao stress
• Maior clareza cognitiva

Lactobacillus helveticus R0052

• GABA
• Serotonina
• Noradrenalina

• Redução da ansiedade
• Melhoria do humor
• Maior estabilidade emocional

Lactobacillus plantarum

• Serotonina
• Dopamina
• GABA

• Melhoria do humor
• Redução de sintomas depressivos leves
• Maior energia mental

Bifidobacterium breve

• Serotonina
• Dopamina
• GABA

• Melhor controlo emocional
• Suporte cognitivo
• Redução da fadiga mental

 

Podemos complementar o tratamento psiquiátrico ou prevenir o progressivo envelhecimento com a adição de suplementos alimentares contendo estes probióticos, mas tenha especial cuidado se for imunodeprimido ou polimedicado.


Todavia, não nos podemos esquecer dos hábitos de vida saudável: uma dieta rica em fibras (frutas, legumes, cereais integrais) e alimentos fermentados, e o exercício físico regular.


Em resumo, os psicobióticos representam uma área fascinante e promissora na medicina, oferecendo uma nova abordagem para a saúde mental através da modulação do eixo cérebro-intestino para complementar os tratamentos, e não como substitutos comprovados para terapias psiquiátricas estabelecidas.


Em caso de dúvida, aconselhe-se com o seu farmacêutico ou médico assistente, antes de tomar a iniciativa de se automedicar.


Dr. Élio Silva
Farmácia Sto António

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